Dez semanas. Um assassino desconhecido.
Os Assassinatos ao Luar de Texarkana foram uma série de ataques violentos ocorridos entre fevereiro e maio de 1946 na região de Texarkana, cidade dividida pela fronteira entre Texas e Arkansas, nos Estados Unidos.
O termo "Assassinatos ao Luar de Texarkana" foi criado pela imprensa da época. Os crimes foram atribuídos a um possível agressor não identificado que posteriormente ficou conhecido como "Assassino Fantasma", ou "Phantom Killer".
Ao longo de aproximadamente dez semanas, oito pessoas foram atacadas e cinco morreram. Os quatro ataques tradicionalmente associados à série ocorreram durante a noite, principalmente em finais de semana, e tiveram como alvo casais ou pessoas em locais isolados.
Os três primeiros episódios ocorreram em estradas ou áreas isoladas próximas de Texarkana. O último ataque ocorreu em uma propriedade rural no Arkansas, quando um casal foi baleado dentro de sua própria casa.
Apesar da intensa investigação policial e de centenas de suspeitos examinados, nenhuma pessoa foi oficialmente responsabilizada pelos assassinatos.
Os quatro ataques ocorreram entre 22 de fevereiro e 3 de maio de 1946. Ainda existe discussão sobre se todos os crimes foram cometidos pelo mesmo indivíduo.
Um casal na estrada. O primeiro encontro com o desconhecido.
Na noite de 22 de fevereiro de 1946, Jimmy Hollis, de 25 anos, e sua namorada Mary Jeanne Larey, de 19 anos, estavam dentro de um carro estacionado em uma estrada isolada nos arredores de Texarkana, Texas.
Aproximadamente às 23h45, um homem usando uma máscara branca com aberturas para os olhos e a boca apareceu ao lado do veículo. Ele iluminou o interior do carro com uma lanterna e ordenou que os dois saíssem.
Hollis foi golpeado na cabeça com uma arma de fogo. Larey também foi agredida e posteriormente sofreu uma agressão sexual antes de conseguir fugir e procurar ajuda em uma residência próxima.
Os dois sobreviveram ao ataque. Hollis permaneceu hospitalizado durante vários dias devido às fraturas no crânio.
O episódio só seria publicamente conectado aos assassinatos seguintes depois que outros ataques ocorreram.
Jimmy Hollis
Atacado dentro de seu carro na noite de 22 de fevereiro de 1946. Foi golpeado repetidamente na cabeça e sofreu fraturas no crânio, mas sobreviveu.
Mary Jeanne Larey
Sobreviveu ao primeiro ataque e foi a única vítima capaz de fornecer uma descrição relativamente detalhada do agressor junto com Jimmy Hollis.
Ataque
Hollis e Larey são abordados por um homem mascarado enquanto estão dentro do carro.
O agressor desaparece
Larey consegue fugir e procurar ajuda, enquanto Hollis também consegue chegar até uma estrada próxima.
Primeira descrição
Os sobreviventes descrevem um homem alto usando uma máscara branca.
O primeiro duplo homicídio. Um padrão começa a surgir.
Na manhã de 24 de março de 1946, Richard Griffin, de 29 anos, e sua namorada Polly Ann Moore, de 17, foram encontrados mortos dentro do carro de Griffin.
O veículo estava estacionado em uma estrada isolada no condado de Bowie, ao sul da US Highway 67.
Griffin havia sido baleado duas vezes e Moore uma vez na parte de trás da cabeça. Ambos estavam completamente vestidos.
Havia evidências de que os dois poderiam ter sido mortos do lado de fora do veículo e posteriormente colocados dentro dele. Sangue foi encontrado no solo próximo ao carro e também na estrutura da porta.
Uma cápsula de calibre .32 foi encontrada nas proximidades, possivelmente relacionada à arma utilizada no crime.
Richard Griffin
Encontrado morto dentro de seu automóvel na manhã de 24 de março de 1946.
Polly Ann Moore
Encontrada morta no banco traseiro do automóvel. Tinha 17 anos.
O carro estava estacionado em uma estrada usada por casais.
Uma cápsula de calibre .32 foi encontrada na cena.
Ambos foram baleados na cabeça.
Mais de 200 pessoas foram interrogadas durante a investigação.
O crime aumentou a preocupação na região, embora as autoridades ainda não tivessem oficialmente relacionado o ataque ao primeiro caso.
Dois adolescentes. O pânico começa.
Na madrugada de 14 de abril de 1946, Paul Martin, de 16 anos, buscou Betty Jo Booker, de 15, depois de uma apresentação musical no VFW Club de Texarkana.
Martin foi encontrado morto aproximadamente às 6h30 da manhã, às margens de North Park Road. Ele havia sido baleado quatro vezes.
O corpo de Betty Jo Booker foi encontrado cerca de cinco horas depois, aproximadamente três quilômetros distante do local onde Martin havia sido encontrado.
Booker havia sido baleada duas vezes. O carro de Martin foi encontrado posteriormente em outra área, com as chaves ainda na ignição.
O assassinato de dois adolescentes conhecidos na comunidade provocou uma reação muito maior da população. Foi nesse momento que a imprensa local passou a utilizar o nome "Phantom Killer".
Paul Martin
Tinha 16 anos e havia buscado Betty Jo Booker após uma apresentação musical. Foi encontrado morto na manhã de 14 de abril.
Betty Jo Booker
Tinha 15 anos e era estudante do ensino médio. Seu corpo foi encontrado horas depois do de Martin, a aproximadamente três quilômetros de distância.
Martin busca Booker
Os dois deixam o local de uma apresentação musical.
Corpo de Martin encontrado
O corpo é localizado às margens de North Park Road.
Corpo de Booker encontrado
Uma equipe de busca encontra Booker aproximadamente três quilômetros distante.
Após os assassinatos de Martin e Booker, jornais locais passaram a chamar o criminoso não identificado de "Assassino Fantasma".
Um ataque dentro de casa. O quinto morto.
Na noite de 3 de maio de 1946, Virgil Starks, de 37 anos, e sua esposa Katie, de 36, estavam em sua residência rural localizada em uma propriedade de aproximadamente 200 hectares, a cerca de 16 quilômetros de Texarkana.
Virgil estava sentado em uma poltrona lendo o jornal quando foi baleado duas vezes na parte de trás da cabeça através de uma janela fechada.
Katie ouviu o barulho dos tiros e correu para telefonar para a polícia. Antes que pudesse completar a ligação, também foi baleada através da mesma janela.
Mesmo ferida, Katie conseguiu sair da residência e procurar ajuda em uma casa vizinha. Ela sobreviveu aos ferimentos.
O ataque foi inicialmente relacionado aos crimes anteriores, mas a ligação permaneceu controversa. Uma diferença importante era a arma: os crimes anteriores eram associados a uma pistola de calibre .32, enquanto o ataque contra os Starks envolveu uma arma de calibre .22.
Virgil Starks
Morto dentro de sua residência na noite de 3 de maio de 1946 após ser atingido por dois disparos através de uma janela.
Katie Starks
Ferida por dois disparos enquanto tentava telefonar para a polícia. Conseguiu escapar da residência e pedir ajuda aos vizinhos.
Os disparos foram efetuados através de uma janela fechada.
A arma utilizada diferia daquela associada aos crimes anteriores.
O ataque ocorreu em uma propriedade rural afastada de Texarkana.
Após o ataque, dezenas de policiais foram mobilizados na região.
O assassinato de Starks é tradicionalmente incluído na sequência, embora autoridades posteriores tenham questionado sua ligação com os dois duplos homicídios.
Centenas de suspeitos. Nenhuma identificação definitiva.
A investigação envolveu autoridades municipais, departamentos dos condados de Bowie e Miller, Polícia Estadual do Arkansas, autoridades do Texas, Texas Rangers e o FBI.
Mais de 200 pessoas foram interrogadas durante a investigação dos assassinatos de Griffin e Moore, enquanto aproximadamente o mesmo número de falsas pistas precisou ser verificado.
Ao longo de toda a investigação, quase 400 suspeitos chegaram a ser examinados. Também houve diversas falsas confissões, algumas delas apresentadas por pessoas que afirmavam ser o próprio Assassino Fantasma.
A polícia chegou a utilizar adolescentes e agentes como iscas em carros estacionados para tentar atrair o criminoso.
Recompensas oferecidas por informações cresceram rapidamente. Após os primeiros crimes, o valor chegou a milhares de dólares, mas as recompensas também produziram numerosas pistas falsas.
Suspeitos foram investigados ao longo da investigação.
Pessoas foram interrogadas após o primeiro duplo homicídio.
Nove pessoas chegaram a confessar os crimes segundo investigadores.
Em 5 de maio, 47 agentes trabalhavam na investigação.
A localização dos crimes em áreas de diferentes jurisdições tornou a investigação ainda mais complexa.
Uma máscara branca. Nenhum rosto identificado.
O nome "Phantom Killer" surgiu na imprensa depois dos assassinatos de Paul Martin e Betty Jo Booker. Antes disso, as autoridades não tratavam publicamente os ataques como uma única série.
Jimmy Hollis e Mary Jeanne Larey foram as únicas vítimas capazes de fornecer uma descrição do agressor.
Segundo os relatos, o homem tinha aproximadamente 1,80 metro de altura e utilizava uma máscara branca que cobria o rosto, com aberturas para os olhos e a boca.
As descrições sobre sua aparência física divergiam. Hollis acreditava que se tratava de um homem branco, jovem e de pele bronzeada, enquanto Larey descreveu um homem negro de pele clara.
Nenhum dos outros ataques produziu uma descrição confiável do agressor. Por isso, não é possível estabelecer com certeza se todos os crimes foram cometidos pela mesma pessoa.
Aproximadamente 1,80 metro.
Máscara branca com aberturas para os olhos e a boca.
Os ataques tradicionalmente relacionados ocorreram durante a noite.
Casais em locais isolados nos primeiros episódios.
A descrição existente foi fornecida por apenas dois sobreviventes do primeiro ataque e contém diferenças significativas entre os relatos.
Muitos nomes. Nenhuma acusação por assassinato.
Ao longo da investigação, centenas de pessoas foram consideradas suspeitas. Algumas foram interrogadas devido a evidências circunstanciais, enquanto outras chamaram a atenção por comportamentos ou declarações posteriores.
O nome mais associado ao caso é Youell Swinney, um criminoso profissional que foi preso em julho de 1946 por questões relacionadas a roubo de automóveis.
Sua esposa, Peggy Swinney, confessou aos investigadores que Youell era o Assassino Fantasma e forneceu detalhes que policiais conseguiram verificar de forma independente.
Entretanto, Peggy posteriormente retirou sua confissão e não pôde ser obrigada a testemunhar contra o marido. As autoridades passaram meses tentando confirmar a ligação de Swinney com os assassinatos.
Swinney nunca foi acusado pelos homicídios. Ele acabou preso por outros crimes e morreu sem que sua responsabilidade pelos assassinatos fosse estabelecida judicialmente.
Youell Swinney
Criminoso profissional investigado após ser preso por roubo de automóveis. Sua esposa, Peggy, afirmou inicialmente que ele era o Assassino Fantasma, mas posteriormente retirou a confissão. Swinney nunca foi acusado pelos homicídios.
Henry "Doodie" Tennison
Estudante universitário que morreu por suicídio em 1948. Deixou uma nota na qual confessava os assassinatos de Booker, Martin e Starks. Investigadores, porém, não encontraram outras evidências que o ligassem aos crimes.
Ralph Baumann
Ex-militar que procurou a polícia em Los Angeles em maio de 1946 dizendo acreditar que poderia ser o Assassino Fantasma. Foi detido, mas sua história não foi considerada consistente com os crimes.
Principal suspeito histórico do caso.
Confessou em uma nota deixada após sua morte.
Apresentou-se voluntariamente como possível suspeito.
Diversas pessoas afirmaram ser o criminoso sem que suas histórias fossem confirmadas.
Dois investigadores principais posteriormente acreditavam que Swinney era o responsável, mas a evidência nunca resultou em uma condenação ou identificação oficial.
Oito pessoas atacadas. Nenhum culpado oficialmente identificado.
Os Assassinatos ao Luar de Texarkana permanecem como um dos casos não solucionados mais conhecidos da história criminal dos Estados Unidos.
A sequência tradicionalmente atribuída ao chamado Assassino Fantasma envolveu oito pessoas atacadas, cinco das quais morreram entre fevereiro e maio de 1946.
Entretanto, a própria ligação entre todos os ataques não é completamente estabelecida. Autoridades posteriores chegaram a considerar que o assassinato de Virgil Starks poderia não estar relacionado aos dois duplos homicídios anteriores.
Youell Swinney continua sendo o suspeito histórico mais associado ao caso. A confissão de sua esposa, Peggy, continha informações que puderam ser verificadas independentemente, mas ela retirou posteriormente suas declarações e não testemunhou contra ele.
Swinney nunca foi formalmente acusado pelos assassinatos e nenhuma condenação estabeleceu sua responsabilidade pelos crimes.
Ao longo das décadas, livros, documentários e obras de ficção mantiveram vivo o mistério do homem mascarado que aterrorizou Texarkana em 1946.
A investigação original terminou sem uma identificação oficial do responsável. O verdadeiro autor dos crimes, caso todos tenham sido cometidos pela mesma pessoa, permanece desconhecido.