Um nome. Nenhuma identidade.
Jack, o Estripador é o pseudônimo mais conhecido de um assassino em série não identificado que atuou na região de Whitechapel e arredores, no East End de Londres, em 1888.
Onze homicídios foram registrados na região entre abril de 1888 e fevereiro de 1891 e ficaram conhecidos como os assassinatos de Whitechapel. A ligação entre todos eles nunca foi estabelecida de forma conclusiva.
Cinco dessas mortes, ocorridas entre 31 de agosto e 9 de novembro de 1888, são tradicionalmente conhecidas como as "cinco canônicas" e são consideradas as mais plausíveis de terem sido cometidas pelo mesmo assassino.
As vítimas eram mulheres que viviam em condições extremamente precárias no East End. Os crimes apresentavam cortes profundos na garganta e mutilações abdominais, e em alguns casos órgãos internos foram removidos.
A identidade do criminoso nunca foi estabelecida. Mais de cem suspeitos já foram associados ao caso ao longo das décadas, mas nenhuma hipótese produziu uma identificação comprovada.
As cinco mortes ocorreram entre 31 de agosto e 9 de novembro de 1888 e formam o núcleo histórico mais associado ao caso de Jack, o Estripador.
Antes das cinco canônicas.
Antes dos cinco assassinatos tradicionalmente ligados ao Estripador, outros crimes ocorridos em Whitechapel já haviam chamado a atenção das autoridades.
Emma Elizabeth Smith foi atacada em Osborn Street em 3 de abril de 1888. Ferida gravemente, ela afirmou ter sido atacada por dois ou três homens. Morreu no dia seguinte no Royal London Hospital.
A imprensa posteriormente relacionou sua morte aos assassinatos seguintes, mas a maior parte dos autores considera que o ataque foi cometido por uma gangue violenta e não pelo Estripador.
Em 7 de agosto de 1888, Martha Tabram foi encontrada morta em George Yard, Whitechapel. Ela havia sofrido 39 facadas.
A proximidade geográfica e a violência do crime levaram investigadores da época a considerar uma possível ligação com os assassinatos posteriores. Entretanto, o padrão do ataque era diferente daquele observado nas cinco mortes canônicas.
Emma Elizabeth Smith
Atacada em 3 de abril de 1888. Morreu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos. A maioria dos pesquisadores não relaciona sua morte ao Estripador.
Martha Tabram
Encontrada morta em 7 de agosto de 1888, após sofrer 39 facadas. O crime foi investigado como possível ligação, mas permanece fora das cinco canônicas.
Emma Elizabeth Smith
Smith é atacada em Whitechapel e morre no dia seguinte.
Martha Tabram
Tabram é encontrada morta em George Yard após sofrer 39 facadas.
Mary Ann Nichols
O primeiro dos cinco assassinatos tradicionalmente atribuídos ao Estripador acontece em Buck's Row.
Cinco mulheres. Uma sequência de crimes.
As chamadas cinco canônicas são Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly.
Seus assassinatos ocorreram em um intervalo de pouco mais de dois meses, em áreas próximas de Whitechapel e Spitalfields.
Os crimes apresentavam elementos em comum, incluindo cortes na garganta e mutilações. A natureza dos ferimentos levou a especulações sobre o conhecimento anatômico ou cirúrgico do assassino.
Mary Ann Nichols
Encontrada morta em Buck's Row, Whitechapel, por volta das 3h40 da manhã de 31 de agosto de 1888. Seu corpo apresentava cortes na garganta e mutilações abdominais.
Annie Chapman
Encontrada morta em Hanbury Street, Spitalfields, na manhã de 8 de setembro de 1888. O corpo apresentava cortes na garganta e mutilações abdominais.
Buck's Row · 31 de agosto de 1888.
Hanbury Street · 8 de setembro de 1888.
Berner Street · 30 de setembro de 1888.
Mitre Square · 30 de setembro de 1888.
Kelly foi encontrada morta em seu quarto em Miller's Court. Seu assassinato é geralmente considerado o último das cinco mortes canônicas.
Duas mortes. Uma única madrugada.
Na madrugada de 30 de setembro de 1888, Elizabeth Stride e Catherine Eddowes foram assassinadas em locais diferentes, separados por uma curta distância e por aproximadamente uma hora.
O corpo de Elizabeth Stride foi encontrado por volta da 1h da manhã em Berner Street. Sua garganta havia sido cortada, mas não havia as mutilações abdominais observadas em outras vítimas.
A ausência dessas mutilações levou investigadores a questionar se Stride havia sido morta pelo Estripador ou se o ataque teria sido interrompido.
Cerca de três horas e quarenta e cinco minutos depois, Catherine Eddowes foi encontrada em Mitre Square, na Cidade de Londres.
O corpo de Eddowes apresentava ferimentos muito mais extensos. Seu rim esquerdo e grande parte do útero haviam sido removidos.
Elizabeth Stride
Encontrada em Berner Street por volta da 1h da manhã. Foi morta por um corte na principal artéria do lado esquerdo do pescoço. A ausência de mutilações abdominais permanece como um dos elementos discutidos do caso.
Catherine Eddowes
Encontrada em Mitre Square cerca de três horas e quarenta e cinco minutos depois de Stride. Seu corpo apresentava cortes profundos e mutilações, incluindo a remoção do rim esquerdo.
Elizabeth Stride é encontrada por volta da 1h.
Catherine Eddowes é encontrada posteriormente.
Parte da roupa ensanguentada de Eddowes foi encontrada na região.
Uma inscrição na parede gerou preocupação com possíveis conflitos antissemitas.
A proximidade temporal dos dois assassinatos tornou a madrugada um dos pontos centrais da investigação sobre o Estripador.
O último dos cinco. O crime mais extremo.
Em 9 de novembro de 1888, Mary Jane Kelly foi encontrada morta em seu quarto em 13 Miller's Court, próximo à Dorset Street, em Spitalfields.
Diferentemente das vítimas anteriores, Kelly foi assassinada dentro de um espaço privado. Seu corpo apresentava mutilações extensas e quase todos os órgãos internos do abdômen haviam sido removidos.
Seu coração não foi encontrado no local.
A morte de Kelly é geralmente considerada a última das cinco vítimas canônicas e, para muitos estudos históricos, marca o encerramento da sequência principal de assassinatos atribuída ao Estripador.
Mary Jane Kelly
Encontrada morta em seu quarto em Miller's Court, na manhã de 9 de novembro de 1888. É geralmente considerada a última vítima das cinco canônicas.
Corpo encontrado
Mary Jane Kelly é encontrada morta em seu quarto em Miller's Court.
Última vítima canônica
Seu assassinato passa a ser considerado o último da sequência principal atribuída ao Estripador.
Outros crimes
Novos assassinatos em Whitechapel foram posteriormente associados ao caso, mas nenhuma ligação foi estabelecida de forma conclusiva.
Depois de Kelly, outros homicídios ocorreram em Whitechapel, mas a ligação desses crimes com o Estripador permanece objeto de debate.
Mais de dois mil depoimentos. Nenhum culpado.
A investigação dos assassinatos de Whitechapel envolveu diferentes equipes da Polícia Metropolitana de Londres e, após a morte de Catherine Eddowes, também a Polícia da Cidade de Londres.
Mais de 2 mil pessoas foram entrevistadas, cerca de 300 foram investigadas de maneira mais aprofundada e aproximadamente 80 chegaram a ser detidas.
O Departamento de Investigação Criminal da Polícia Metropolitana, a Scotland Yard e investigadores como Edmund Reid e Frederick Abberline participaram dos esforços para identificar o criminoso.
A natureza das mutilações também direcionou a atenção para açougueiros, cirurgiões e médicos. Um relatório posterior registrou que 76 açougueiros foram intimados durante a investigação.
Um dos primeiros perfis criminais associados ao caso foi elaborado pelo cirurgião policial Thomas Bond, que examinou os corpos das primeiras vítimas.
Mais de 2 mil pessoas foram entrevistadas.
Cerca de 300 pessoas foram investigadas de forma mais aprofundada.
Aproximadamente 80 pessoas foram detidas durante os inquéritos.
76 açougueiros foram intimados para investigação.
O cirurgião policial analisou os ferimentos das vítimas e elaborou uma avaliação sobre o provável comportamento e características do assassino.
Um nome enviado pelo correio. Uma identidade nunca confirmada.
Durante os assassinatos, a polícia, os jornais e outras pessoas receberam centenas de cartas relacionadas ao caso. A maioria não foi considerada útil.
Três correspondências se tornaram especialmente conhecidas: a carta "Dear Boss", o cartão-postal "Saucy Jacky" e a carta "From Hell".
A carta "Dear Boss", datada de 25 de setembro e carimbada em 27 de setembro de 1888, foi a primeira correspondência amplamente associada ao nome "Jack, o Estripador".
A autenticidade dessas cartas nunca foi estabelecida de forma definitiva. A possibilidade de que algumas tenham sido produzidas por jornalistas ou impostores para aumentar o interesse da imprensa permanece parte da discussão histórica.
Carta que popularizou o nome "Jack, o Estripador".
Cartão-postal que mencionava o chamado "evento duplo".
Carta enviada a George Lusk acompanhada por metade de um rim humano.
A autoria das correspondências permanece historicamente controversa.
Aaron Kosminski
Barbeiro que vivia em Whitechapel e apareceu entre os nomes relacionados à investigação. Tentativas modernas de vinculá-lo ao caso por meio de DNA foram questionadas e não produziram uma identificação aceita como definitiva.
Walter Sickert
Artista posteriormente associado ao caso por diferentes autores. Algumas teorias tentaram relacioná-lo às cartas atribuídas ao Estripador, mas essas correspondências e as alegações de autoria permanecem contestadas.
Nenhum dos nomes associados ao caso conseguiu estabelecer de maneira comprovada a identidade de Jack, o Estripador.
Mais de um século depois. A identidade continua desconhecida.
Os assassinatos de Whitechapel nunca foram solucionados e não existe uma identificação oficialmente aceita para Jack, o Estripador.
As cinco mortes canônicas — Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly — continuam sendo o núcleo principal do caso.
Outros homicídios ocorridos em Whitechapel entre 1888 e 1891 foram relacionados ao Estripador em diferentes momentos, mas a quantidade real de vítimas permanece desconhecida.
Tentativas modernas de resolver o caso utilizando evidências de DNA também não produziram uma conclusão definitiva. O material disponível foi considerado problemático e algumas alegações de identificação foram posteriormente questionadas.
A ausência de evidências forenses confirmadas, as contradições nos relatos da época e a possibilidade de que algumas cartas tenham sido falsificadas dificultam qualquer conclusão sobre a identidade do criminoso.
Mais de cem suspeitos já foram propostos ao longo da história do caso. Nenhum deles foi comprovadamente identificado como Jack, o Estripador.
O caso permanece como um dos mais conhecidos assassinatos não solucionados da história criminal, e sua investigação continua sendo objeto de estudos históricos e pesquisas independentes.