Uma criança desaparecida. Um crime sem resposta.
Em 11 de setembro de 1973, Ana Lídia Braga, de sete anos, desapareceu na porta do Colégio Madre Carmen Sallés, em Brasília. Ela havia sido deixada pelos pais na escola por volta das 13h50.
Quando a empregada da família retornou ao colégio por volta das 17h, descobriu que Ana Lídia não havia frequentado as aulas naquele dia. As primeiras informações obtidas por testemunhas indicavam que a menina havia deixado o local acompanhada por um homem jovem.
A família recebeu posteriormente telefonemas exigindo dinheiro pelo resgate da criança. As buscas continuaram durante a noite.
Na tarde de 12 de setembro, o corpo de Ana Lídia foi encontrado por policiais em uma área entre a Avenida das Nações e a Universidade de Brasília.
O exame do corpo indicou que a menina havia sofrido violência física e sexual e morrido por asfixia. Os peritos estimaram que a morte teria ocorrido aproximadamente às 6h daquele dia.
A investigação levantou diferentes suspeitos e possíveis relações com pessoas ligadas à elite política e social de Brasília, além da possibilidade de envolvimento de traficantes de drogas.
Décadas depois, o caso continuava sem uma condenação que estabelecesse judicialmente quem sequestrou, violentou e matou Ana Lídia.
O desaparecimento de Ana Lídia transformou-se em um dos casos criminais mais controversos da história de Brasília.
11 de setembro de 1973. A menina que não entrou na sala de aula.
Ana Lídia Braga nasceu em Brasília em 10 de julho de 1966. Aos sete anos, vivia com os pais, Álvaro Braga e Eloyza Rossi Braga, na Asa Norte de Brasília.
Na manhã de 11 de setembro de 1973, Ana Lídia foi deixada pelos pais no Colégio Madre Carmen Sallés, localizado na L2 Norte.
A menina deveria permanecer na escola durante o período das aulas. Por volta das 17h, entretanto, a empregada da família foi buscá-la e descobriu que Ana Lídia não havia comparecido às aulas.
O desaparecimento imediatamente mobilizou a família e as autoridades. Testemunhas relataram ter visto Ana Lídia deixando o colégio acompanhada por um jovem.
Segundo registros posteriores, um homem descrito como loiro, alto, magro e de pele clara teria sido visto levando a menina.
Durante as buscas, a família recebeu dois telefonemas exigindo resgate pela libertação da criança.
Ana Lídia chega à escola
A menina é deixada pelos pais no Colégio Madre Carmen Sallés, na L2 Norte.
O desaparecimento é descoberto
A empregada da família retorna à escola e descobre que Ana Lídia não havia frequentado as aulas.
Buscas começam
A polícia inicia as buscas pela criança desaparecida enquanto a família recebe ligações exigindo resgate.
Ana Lídia tinha sete anos quando desapareceu.
O desaparecimento ocorreu depois que a menina foi deixada no colégio.
Pessoas relataram ter visto a menina deixar o local acompanhada por um jovem.
A família recebeu telefonemas exigindo dinheiro pela libertação da criança.
12 de setembro. A busca termina em uma vala.
Na tarde de 12 de setembro de 1973, aproximadamente 24 horas depois do desaparecimento, policiais encontraram o corpo de Ana Lídia em uma área situada entre a Avenida das Nações e a Universidade de Brasília.
O corpo estava parcialmente enterrado em uma vala. Próximo ao local foram observadas marcas de pneus de motocicleta e preservativos, elementos que posteriormente passaram a integrar as discussões sobre a investigação.
Ana Lídia estava sem roupas e apresentava sinais de violência física e sexual. Seus cabelos haviam sido cortados de maneira irregular.
Os exames realizados pelos peritos indicaram asfixia como causa da morte.
A estimativa médico-legal apontou que a morte teria ocorrido por volta das 6h da manhã de 12 de setembro, horas antes de o corpo ser localizado.
A descoberta transformou imediatamente o desaparecimento em uma investigação de sequestro, violência sexual e assassinato.
O corpo de Ana Lídia foi encontrado um dia após seu desaparecimento.
A perícia apontou asfixia como causa da morte.
Havia marcas de pneus de motocicleta próximas à vala onde o corpo foi encontrado.
Preservativos foram encontrados nas proximidades do local onde o corpo estava.
Os vestígios encontrados no local poderiam ter contribuído para reconstruir os acontecimentos, mas a investigação posterior foi marcada por controvérsias e falhas.
As primeiras linhas. Um crime cercado por contradições.
A investigação policial passou a considerar diferentes possibilidades para explicar o desaparecimento e a morte de Ana Lídia.
Uma das linhas investigativas examinava a possibilidade de participação de pessoas próximas à própria vítima. O irmão de Ana Lídia, Álvaro Henrique Braga, e sua então namorada, Gilma Varela de Albuquerque, chegaram a ser investigados.
Outra linha apontava para pessoas ligadas ao tráfico de drogas em Brasília. Entre os nomes que apareceram na investigação estava Raimundo Lacerda Duque, conhecido como Duque.
As investigações também passaram a considerar a possibilidade de participação de filhos de figuras importantes da política e da administração pública da época.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios posteriormente registrou que a investigação foi estruturada em diferentes frentes: a possível participação de filhos de autoridades, o possível envolvimento de traficantes e a apuração de pessoas próximas à família.
Nenhuma dessas linhas resultou em uma condenação definitiva pelo assassinato de Ana Lídia.
A investigação procurou determinar se o crime estava relacionado a pessoas influentes, ao tráfico de drogas ou ao próprio círculo de convivência da vítima.
Nomes importantes. Nenhum culpado estabelecido.
Entre os nomes investigados estavam pessoas de diferentes círculos sociais. Algumas delas tinham ligação familiar com figuras importantes da política brasileira durante o regime militar.
Alfredo Buzaid Júnior, filho do então ministro da Justiça Alfredo Buzaid, foi apontado como um dos principais suspeitos em versões da investigação. Ele negou envolvimento, segundo registros posteriores sobre o caso.
Eduardo Ribeiro de Rezende, filho do senador Eurico Rezende, também apareceu entre os nomes investigados. Segundo o Ministério Público, ele negou estar em Brasília na época do crime.
Raimundo Lacerda Duque, conhecido como Duque, era apontado como traficante de drogas em Brasília e também foi incluído entre os suspeitos.
O próprio irmão da vítima, Álvaro Henrique Braga, chegou a ser investigado. As suspeitas contra os diferentes envolvidos, entretanto, não produziram uma condenação pelo assassinato.
Alfredo Buzaid Júnior
Filho do então ministro da Justiça Alfredo Buzaid. Seu nome apareceu entre os principais suspeitos investigados no caso. Ele morreu em 1975, em um acidente automobilístico.
Eduardo Ribeiro de Rezende
Filho do senador Eurico Rezende. Foi citado entre os suspeitos e teria sido relacionado a um sítio onde, segundo a investigação, Ana Lídia poderia ter sido levada.
Raimundo Lacerda Duque
Conhecido como Duque e apontado como traficante de drogas em Brasília. Seu nome apareceu nas investigações relacionadas ao possível envolvimento de traficantes.
Os nomes apresentados fizeram parte das investigações e de diferentes versões sobre o caso. Nenhum deles foi condenado pelo assassinato de Ana Lídia.
Brasília, 1973. Uma investigação durante o regime militar.
O assassinato de Ana Lídia ocorreu durante a ditadura militar brasileira, período em que órgãos de segurança e informação exerciam forte controle sobre diferentes aspectos da vida pública e sobre a circulação de informações.
O contexto político tornou-se parte importante da história do caso porque alguns dos suspeitos estavam relacionados a famílias de autoridades de alto escalão do governo.
Registros posteriores apontaram falhas na investigação policial e na perícia. A própria narrativa oficial da época também tratou algumas acusações contra pessoas ligadas ao governo como tentativas de desgastar autoridades.
Em maio de 1974, aproximadamente oito meses depois do assassinato, um comunicado atribuído ao Departamento de Polícia Federal determinou a proibição de divulgação de informações sobre o caso Ana Lídia e outro caso criminal ocorrido em Brasília.
A restrição à imprensa tornou ainda mais difícil a circulação pública de informações sobre a investigação e contribuiu para que diferentes versões do crime circulassem ao longo dos anos.
O assassinato ocorreu durante a ditadura militar brasileira.
Alguns investigados possuíam relações com famílias de autoridades públicas.
Um comunicado de 1974 proibiu a divulgação de informações sobre o caso.
Registros posteriores apontaram problemas na investigação e na perícia.
A investigação ocorreu em um período no qual informações sobre casos envolvendo autoridades podiam ser submetidas a restrições de divulgação.
Treze anos depois. O caso volta a ser investigado.
Mais de uma década depois do assassinato, o processo foi reaberto após o surgimento de novas informações e testemunhos.
A jornalista Mônica Teixeira, da Vídeo Abril, afirmou ter localizado testemunhas que poderiam relacionar o crime a Alfredo Buzaid Júnior.
Naquele momento, entretanto, já havia sido divulgado que Buzaid Júnior havia morrido em um acidente automobilístico em 1975.
A possibilidade de que novas testemunhas pudessem esclarecer o paradeiro e a participação de pessoas investigadas fez com que a investigação fosse retomada.
O processo voltou a enfrentar dificuldades. Segundo registros posteriores, algumas testemunhas morreram depois de serem intimadas a depor, e a exumação do corpo de Alfredo Buzaid Júnior demorou a ser autorizada.
Quando a exumação finalmente ocorreu, houve um erro: inicialmente, os restos mortais examinados pertenciam ao avô de Buzaid Júnior, Felício Buzaid, morto em 1966.
Uma segunda exumação foi realizada posteriormente. O cadáver apresentado como sendo o de Alfredo Buzaid Júnior também não pôde ser identificado por arcada dentária, pois os dentes haviam sido removidos.
Apesar das controvérsias, o legista José Antônio Mello declarou em julho de 1986 que o corpo enterrado correspondia a Alfredo Buzaid Júnior.
Novas testemunhas
Informações apresentadas por uma jornalista levam à reabertura da investigação.
Primeira exumação
O corpo inicialmente exumado não era o de Alfredo Buzaid Júnior, mas de seu avô.
Nova identificação
Um legista declarou que o segundo cadáver correspondia a Alfredo Buzaid Júnior.
A tentativa de verificar o destino de um dos principais suspeitos acabou criando mais uma controvérsia dentro de um processo já marcado por falhas.
Décadas depois. Nenhum culpado foi condenado.
A investigação do assassinato de Ana Lídia atravessou diferentes períodos e passou por várias hipóteses. Nomes foram investigados, testemunhas foram ouvidas e o processo chegou a ser reaberto.
Apesar disso, nenhuma das linhas investigativas conseguiu estabelecer judicialmente quem sequestrou e matou a menina.
Os principais suspeitos mencionados ao longo da história do caso também morreram em momentos diferentes.
Alfredo Buzaid Júnior morreu em um acidente automobilístico em 1975. Eduardo Ribeiro de Rezende morreu em 1990. Raimundo Lacerda Duque morreu em 2005, após complicações relacionadas ao alcoolismo.
O passar dos anos reduziu a possibilidade de novas diligências e eliminou a possibilidade de interrogar pessoalmente vários dos principais nomes relacionados à investigação.
O processo acabou sem uma condenação capaz de determinar quem foi responsável pelo crime.
O crime
Ana Lídia desaparece e é encontrada morta no dia seguinte.
Restrição à divulgação
A Polícia Federal determina restrições à divulgação de informações sobre o caso.
Reabertura
Novas informações levam à retomada da investigação.
Exumações
A tentativa de confirmar a identidade de Alfredo Buzaid Júnior gera novas controvérsias.
O caso não produziu uma condenação judicial que estabelecesse a autoria do sequestro e assassinato de Ana Lídia Braga.
Mais de cinco décadas depois. A pergunta permanece.
O caso Ana Lídia permanece sem uma solução judicial definitiva. Nenhuma pessoa foi condenada pelo sequestro, violência sexual e assassinato da menina.
A investigação original foi marcada por diferentes suspeitos, falhas periciais e mudanças de direção. O contexto político da época também teve influência na forma como o caso foi divulgado e investigado.
A reabertura ocorrida na década de 1980 trouxe novas testemunhas e novas tentativas de esclarecer o crime, mas também foi acompanhada por acontecimentos controversos, incluindo problemas relacionados às exumações.
Ao longo dos anos, os principais suspeitos mencionados nas investigações morreram. Nenhum deles foi condenado pelo assassinato de Ana Lídia.
O caso permanece como um dos crimes não solucionados mais conhecidos da história criminal de Brasília, atravessando diferentes gerações sem uma resposta definitiva sobre a identidade do responsável.
Mais de cinquenta anos depois do desaparecimento, a pergunta central permanece sem resposta judicial: quem levou Ana Lídia do colégio em 11 de setembro de 1973 e quem foi responsável por sua morte?